Wednesday, November 18, 2009

Ouvi dizer que... XX

À porta não de uma tasca mas sim estranhamente de uma farmácia, um gajo diz para um cota careca, de bigode branco e colete de cabedal:

"... pá, é tipo o seguro que pagas 50% porque o cão comeu os óculos."

Tuesday, November 17, 2009

Intermission (velhos conhecidos com cenas novas #5)



Jamie Cullum, "Don't Stop The Music" (uma cover interessante de um original de uma gaja chamada Ryanair ou o caraças)

Saturday, November 14, 2009

Jacaré d’im pé

[Jacaré entra em palco sob os aplausos/insultos do público]

Olá! Olá! Ora aqui estou eu. Sim, hoje saí à rua. Porquê “hoje saí à rua”? Porque não o costumo fazer. E porque é que não o costumo fazer? Porque não gosto que me façam perguntas. E porque é que não gost… Bem: hoje saí à rua e constatei algo de nefasto que grassa na nossa sociedade: gajas gordas com tatuagens. Para elas, ficam aqui dois princípios cruéis da vida:

1) usar uma tatuagem (ou várias) não desvia a atenção do facto de serem gordas;
2) mesmo depois de fazer uma (ou mais) tatuagens, continuam a ser gordas.

Já que falamos de cenas más, vi há uns tempos televisão não envolvendo futebol ou gajos a falar de. Parece que estamos naquela altura do ano em que uma estação de televisão – ó originalidade das originalidades! – pega numa pessoa de aldeia (normalmente transmontana pois só há aldeias em Trás-os-Montes) e obriga-a a viajar de comboio para conhecer Lisboa.

“Nunca foi a Lisboa! Nunca andou de comboio! Nunca foi protagonista de um programa de televisão em que uma pessoa de aldeia viaja de comboio para conhecer Lisboa!”

Imagine que é um médico ou académico importante que por acaso se encontra numa aldeia: pode ser raptado por uma equipa de reportagem e obrigado a viajar para Lisboa de comboio! “Mas eu vivo em Lisboa, tenho lá consultório e só aqui vim pass…” E pimba!, já foi amordaçado pelo gajo do som.

Mas que fixação é esta de ser assim tão simbólico e importante de ter de vir uma vez na vida a Lisboa?! Lisboa! E que tal uma reportagem “Funcionária pública gorda natural de Santos sai pela primeira vez na vida da capital para visitar a Serra da Estrela e ver uma vez que seja na vida neve”? Isso sim, seria um acontecimento.

Faz lembrar aquelas reportagens paternalistas tipo “escola primária perto da Guarda recebe computador com internet”. E que tal fazerem uma estilo “escola da Amadora (incluindo os seus dois computadores com internet) não é assaltada há três dias”?

E terminamos com o Desporto. Felipe Massa (ou o Rubens Barrichello, não me lembro bem) revelou – à imagem do que fizeram anteriormente 347 futebolistas – numa entrevista que, caso não tivesse seguido o seu desporto, estaria hoje provavelmente metido na droga. Curiosamente, para nós adeptos sportinguistas, ultimamente é mais “desde que vejo esta equipa jogar assim, apetece-me meter na droga”.

Mas porque é que nunca vemos, por exemplo, golfistas virem com este tipo de paleio? Okay okay… Podem dar o exemplo do Tiger Woods que é de famílias humildes, tem uma cor de pele que não é para o esbranquiçado e que começou como caddy, e ganha hoje para aí uns cem mil euros por mês, digo eu.

Mas já viram o que era um golfista revelar numa entrevista algo assim:

“Sim, o golfe salvou-me a vida. Se não foste este desporto elitista, teria tido uma vida de dificuldade e miséria: colégio privado católico desde os 2 meses, promovido directamente a sócio no escritório de advogados do papá, herança choruda de um tio abastado empresário… Se não fosse o golfe, se calhar hoje não estaria aqui. Estaria provavelmente metido na droga com amigos do colégio privado católico, a assediar a recepcionista do escritório do papá sob pena de ser despedida se abrisse o bico, a gastar a tal herança em pólos para pôr às costas…”

E vamos terminar, e até porque não consigo acabar com isto de outra forma que não insistir na metáfora do noticiário, com a Meteorologia. Será que nunca ninguém questionou se os gajos (e umas gajas) do Tempo são mesmo dótores da cena? Ninguém acha estranho quando eles (e elas) dizem “Hoje, acima do Sistema Montejunto-Estrela, a mínima vai ser mais baixa do que a máxima” ao mesmo tempo que apontam para o arquipélago dos Açores?!

Será que estes gajos (e gajas) são mesmo metenrol… mitarolo… gajos (e gajas) do Tempo? Não. Porque nunca praticaram golfe a acabaram na droga.

Adeus! Obrigado! Foram um público de merda!

[mais insultos do que aplausos por parte do público]

Thursday, November 12, 2009

Ouvi dizer que... XIX

Que miséria! Já há farrapos de entre vós que querem (ou são forçados a) contribuir para esta rubrica (não sei como se entoa esta palavra).

Esta é cortesia - curioso usar esta palavra neste blogue... - deste gajo.

"Quatro cromos do Porto no comboio a tentarem lembrar-se do nome do site couchsurfing.com.

cromo 1 - como é que se chama aquela cena na internet em que pessoas ficam em tua casa e depois tu podes ir a casa deles [sic]?

cromo 2 - É o Erasmus, caralho!"

Friday, November 06, 2009

Intermission



manic street preachers, "tsunami"

Wednesday, November 04, 2009

Ouvi dizer que... XVIII

No episódio de hoje, é Rui Jacaré quem é confrontado! Sentado num transporte público a caminho do trabalho, o nosso director é interpelado (e interpolado também) pela senhora do banco imediatamente atrás:

Senhora do banco imediatamente atrás [batendo nas costas de Rui Jacaré] - Olhe, desculpe? Tem uma formiga a passear na gola do seu casaco...
Rui Jacaré - Ah... Obrigado [grunhido imperceptível]

Tuesday, November 03, 2009

Pequena Alexandra na mira de clubes portugueses

Com o aproximar da abertura da janela de transferências de Dezembro – e do fecho da janela do quarto porque está um briol do caneco –, os clubes nacionais e estrangeiros (Nacional da Madeira e Marítimo incluídos) tentam reforçar as suas equipas para a segunda metade da época ou, no caso do Sporting, para o agoniante aguentar do resto da temporada.

Um dos nomes que promete mais dar que falar é o da pequena Alexandra, criança russa que já passou pela nossa liga, na altura nas camadas jovens do Braga. Todavia, a criança regressou ao país natal guiada pelo seu útero formador, uma russa alcoólica. Esta decisão veio no seguimento de uma outra de um juiz FIFA, o qual determinou que Alexandra – conhecida por “Xaninha” nos relvados lusos – deveria regressar ao seu clube de origem, o Czar da Rússia.

Embora tenha andado largos tempos fora da equipa principal (nomeadamente por castigo do clube imposto pelo presidente, o seu avô veterano do exército), a pequena Alexandra não foi esquecida em Portugal. Há algumas semanas, a sua agente FIFA e também sua avó (uma velha que fala russo) esteve mesmo em Portugal para negociar o regresso da nº 10 ao clube minhoto onde despontou.

Porém, as condições oferecidas – dinheiro e 30% do passe em forma de casa e emprego para a mãe – não viriam a convencer os russos e Alexandra continuou no clube dos arredores de Moscovo.


A pequena Alexandra no centro de estágios do seu actual clube.

Agora, e por motivos de miminhos e de condições de vida em atraso, Alexandra poderá rescindir contrato. O caso está entregue à justiça russa e vislumbra-se já o seu regresso ao campeonato onde já jogou Quim Machado. Na verdade, o Benfica terá já sondado a atleta ao saber que também ela – à semelhança de Coentrão e Cardozo – teve uma infância difícil e na pobreza. O clube da Luz terá já oferecido um contrato vantajoso e uma cláusula de rescisão de 70 milhões de euros. Ao saber disto, o Porto terá por isso mesmo pensado em avançar para a sua contratação, estando para já em águas de bacalhau pois não poderá ser emprestada ao Olhanenses. A razão não é o ar ameaçador de Jorge Costa mas sim Olhão estar a poucas dezenas de quilómetros da Praia da Luz.

Contudo, notícias mais recentes apontam para a real possibilidade de Alexandra reforçar sim o Sporting, até porque tem duas qualidades bem vistas pelos responsáveis leoninos: está dentro da média de idades da equipa principal e, finalmente, o Miguel Veloso teria alguém com quem brincar às bonecas.

Porém, já esta manhã foi avançada pela Agência Loser a hipótese de Gueorgui Tsklauri, pai da menina e detentor de metade do seu ADN, exigir a colocação de Alexandra no clube ucraniano do qual é accionista parasitário. Para já, o futuro próximo de Alexandra, de forma a ganhar ritmo e limpar a cabeça, poderá passar pelo empréstimo a um orfanato russo até que a situação fique esclarecida.

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